Apuração final em Israel indica indefinição política e dificuldades para compor maioria no Parlamento
Os resultados oficiais das eleições em Israel apontam fragmentação no Parlamento e dificultam a formação de uma nova maioria governista.

Os dados definitivos da votação para o Knesset foram confirmados nesta sexta-feira (30) pela Comissão Eleitoral Central de Israel. O Likud, sigla do premiê Benjamin Netanyahu, conquistou 27 dos 120 assentos parlamentares. Somados aos seus aliados de coalizão, o grupo de Netanyahu obteve 53 cadeiras, marca inferior ao mínimo de 61 parlamentares necessário para governar.
Na vertente oposta, os blocos opositores alcançaram 67 assentos, mas divisões internas tornam incerta a criação de uma aliança governamental. Do total da oposição, 19 parlamentares pertencem a legendas árabes, representantes dos palestinos-israelenses, enquanto os partidos judeus contrários a Netanyahu somam 48 cadeiras. As legendas Yashar e B’Yachad, principais forças oposicionistas, indicaram recusa em integrar gestões ao lado de agremiações árabes.
De acordo com Shajar Goldwaser, especialista do Grupo de Estudos sobre Conflitos (GECI) da PUC de São Paulo, a oposição vive um impasse por compromissos eleitorais que proíbem alianças tanto com Netanyahu quanto com legendas árabes. Esse cenário prolonga a permanência temporária de Netanyahu no cargo. Informações divulgadas pela emissora israelense N12 News apontam que o Yisrael Beytenu analisa negociar uma gestão de unidade nacional com o Likud para afastar pactos com os partidos árabes.
Netanyahu tem contestado a validade da eleição, alegando suposta interferência externa no pleito entre palestinos-israelenses, cuja participação ultrapassou 80%, sem apresentar provas. Em reação, o líder oposicionista Gadi Eisenkot declarou que o primeiro-ministro tenta deslegitimar a apuração por ter perdido a maioria na casa legislativa. O ambiente de incerteza política ocorre após períodos de conflito desde as ações do Hamas em 7 de outubro de 2023, seguidas por operações em Gaza e fortes tensões com Líbano, Síria e Irã.
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